sexta-feira, 29 de julho de 2011

Brasilidade

Passaportes são múltiplos.
Mas o coração,
este tem sempre o mesmo destino:
Copacabana.
Não é um bairro, é mais que uma Cidade,
Meu lar que resume minha brasilidade.


Pois, por mais que eu rode o mundo ou me mude,
tenho a impressão que nunca tirei meus pés de Copacabana.

Nasci numa nesga de terra onde Alfama faz esquina com Copacabana.
Ouvindo mais tango que samba.
Preferindo água `a cerveja.

E assim seja.
Amém duas vezes.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Uruguai

Tem uma máxima no Uruguai que diz que a sua história se confunde com o futebol. E é compreensível. São 2 vitórias olímpicas 1924-1928 quando não existia Copa FIFA. A vitória na Primeira Copa. Organização da primeira Copa do Mundo FIFA. O primeiro ídolo globalizado produzido pelo futebol, Jose Leandro Andrade. Primeiro negro campeão mundial.(Quando times no Brasil vetavam negros) 15 títulos de Copa América. Antes que brazucas inflamados venham dizer que nós não nos preocupamos em "vencer a Copa América". Nos preocupamos sim. Mas talvez tenha nos faltado "bolas" e não bola para vencer no passado. Pelé, por exemplo, não tem nenhuma Copa América. Fomos conseguir uma com um gol de Romário em 89. E eu estava lá.

Na Inglaterra o chart do Jornal de hoje coloca que o Uruguai tem 15 Títulos, Argentina 14 e Resto da América do Sul, 14. Estranho em futebol o Brasil ser colocado como "resto". Mas é um fato na história do Sul Americano/Copa América. Não no scout frio e tolo.

Então um País que tem pouco mais que a metade da população da Cidade do Rio de Janeiro. Que tem metade do PIB da Cidade do Rio de Janeiro, foi semi-finalista da Copa FIFA de 2010. E agora vence o Torneio Continental. Contrariando todos que falavam que não tem como competir com gigantes do futebol como Brasil e Argentina. Em dimensões e potencial de economia. Entenderam? O Uruguai tem metade da população e da economia da Cidade do Rio de Janeiro.

A diferença é uma equipe que se supera. Focada. Com menos mimados. Que joga com amor a camisa celeste. Sem apelar para violência, truculência, mas com vontade, determinação e, é claro, talento. Se querem fazer um "benchmarketing" não usem a Espanha. Façam o espírito uruguaio e resgatem o talento brasileiro.

O antigo grande rival. Que calou 200 mil pessoas no Maracanazo se tornou o queridinho dos brasileiros. Eles jogam como gostaríamos de ver a Seleção Brasileira jogando. Amor, vontade, carinho, talento, dedicação, hombridade e dignidade. Parodiando Chico, mirem-se no exemplo daqueles homens do Uruguai.

Parabéns Uruguai. Com o futebol do time do Mano, se repetirem o "Maracanazo" de 1950 em 2014, desta vez não haverá choro ou comoção.

domingo, 24 de julho de 2011

Campanha Ministério da Saúde


Primeiro foi a popularização do silicone. Que chegou até as meninas da Avenida Atlântica. Mais um exemplo de crescimento da economia. E dos seios das meninas de difícil vida fácil. Depois foi a popularização do Botox. Na Barra da Tijuca a dificuldade é encontrar alguém sem botox. E ficou popular. A copeira do escritório de um amigo, aplicou botox.

E agora, mais um fato da popularização. O clareamento dental. Em 6 reuniões esta semana, notei que em todas tinham pessoas com Mentex radiantes na boca. Não censuro. Juro que não. Me lembrei quando eu falei para meu dentista que queria fazer clareamento. Ele riu e me mostrou os padrões de "branco de dente". O meu era o segundo mais claro. E ele falou "Quer ter os dentes mais claros? Tome um sol. Seus dentes estão brancos. Muito brancos. Não aparecem pois você está muito branco". Bom quando você encontra profissionais sérios que dão uma meia trava nos delírios e imbecilidades estéticas que profissionais focados na futilidade e na grana acabam por envolver clientes.

Nada contra o Botox. Apesar de acreditar que num futuro próximo alguma ruguinha vá dar uma idéia de ser mais jovem que o rosto com photoshop. Nada contra o silicone, apesar de recomendado em alguns casos, nada supera o toque de um seio natural e durinho. Nada contra o clareamento dental, mas quando ele passa dos limites, parece que as pessoas carregam nas suas bocas materiais sintéticos ou Mentex com glitter.

Tudo em nome do mercantilismo superficial. O mesmo mundo que trasformou as mulheres em gordas potenciais para vender remédios e todos os produtos de dieta. Os homens em metrossexuais para dobrarem o mercado de cosméticos, antes restrito apenas as mulheres, cria cada dia uma nova paranóia, uma nova moda. Os incautos mau orientados seguem. Estilo "Simon Says".

sábado, 23 de julho de 2011

O fracasso da publicidade solitária

O Rio está vivendo um evento de grande porte. Os Jogos Mundiais Militares. Não chega a ser algo como Jogos Olímpicos, mas é bem maior que uma quermesse junina ou uma corrida de Fórmula 1. A cidade tem se comportado bem. O tráfego já é caótico e paulistizado e isto não é culpa dos Jogos Militares. A Cidade. A organização. O evento como um todo, estão de parabéns.

A campanha publicitária que foi veiculada antes é boa. Bonita. Inteligente, mas, decidamente não funcionou. Os estádios, mais desertos que o Engenhão em dia de jogo no meio de semana começando as 21h 45min em função da novela.

Motivos?

Bem, publicitários por vezes esquecem o principal : quem é o público a ser "comunicado". E fica na frieza dos belos lay outs que vão para as pastas dos criativos. Mas não foi só isto.

A comunicação dos Jogos Mundiais Militares ficou no milênio passado. Fria. Distante. Sem interatividade. Não trouxe o público para si. Não teve esforço promocional. Não teve envolvimento da população, dos estudantes, das pessoas. Usando o marketing que tanto fala dos tradicionais 4P's, esqueceram que o mundo mudou e tem um P importante: "People". E ele, decidamente, não foi convidado a participar. Claro que ainda há tempo para diminuir o vazio. E acredito que acontecerá, mas fica a lembrança que a primeira semana foi um fiasco de público para eventos que tem um ponto que o brasileiro adora: "DE GRAÇA". "0800". "GRÁTIS".

Sem usar exemplos pessoais, mas de alguns eventos que eu cuidei, pensando no público e usando esforços promocionais, conseguimos fazer 4 dos 10 maiores públicos mundiais. Sem alarde ou apelação. Fazendo apenas uma coisa. Se colocar no lugar do outro. E criar promoções simples. Criativas. Envolventes. Recursos hoje não faltam. E com twitter, redes sociais e diversos recursos que possibilitam fazer promoções sem para isto gerar sujeira ou grandes impactos de carbono.

Ser moderno é ser interativo. É passar transparência. É envolver.

Ou seja, fica a Lição para Copa e Jogos Olímpicos. E sem fazer o marketing pessoal, mas já fazendo, tem uma empresa capaz de fazer isto. Com currículo internacional. Contato com o autor deste blog.


PS:
Se colocar no lugar do outro serve não só para uma comunicação vitoriosa, mas também para nossas relações de vida. Tudo fica mais fácil.

Outro site

Achei legal. Recebi um mail de um site sobre minhas poesias, feito por terceiros que não sabia da existência. Confesso que fiquei feliz, até mesmo envaidecido. Sem solene ou pretensão. Já ri quando fui tema de dissertação de pós em literatura...Bem, aí, realmente se eu ficasse envaidecido, seria contrariar minha essência.
Sobre o site, mesmo sendo não oficial, ele ganha hoje a oficialidade e o agradecimento para a Carla Chaves autora do site.

Diário Fragmentado

O site do livro Diário Fragmentado. Coisa antiga.



sexta-feira, 22 de julho de 2011

A Catedral mais feia do mundo

Sou carioca e amo demais o Rio. Mas não sou idiota de perder critério. De confundir desejo com realidade etc e tal...Agora quando você pensa que nada pode ficar mais feio na Catedral São Sebastião, eles conseguem lançar mão de recursos de iluminação, que vão trocando as cores. Amarelo, Roxo, Rosa, Azul, Verde... Não é kitsch não. É cafona. É feio. E ainda joga atenção para uma Catedral que não parece uma coisa carioca. Deveriam cobrir de samambaias, quem sabe ficaria kitsch e aceitável.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Trilha de ninar

Sem sono fui ouvir as músicas que me colocavam para ninar.



terça-feira, 19 de julho de 2011

Mac é Pop

No início da década de 90 não era fácil encontrar Mac. Nem nos Estados Unidos. Exceto na Costa Oeste/Califórnia, onde as lojas que vendiam Mac pipocavam. Até mesmo na Grande Maçã(nenhum trocadilho com a Apple) você tinha que rodar para encontrar acessórios e programas para Mac. Era uma coisa meio de "gueto".


No passado, quando você falava que usava Mac. Poderia causar algumas reações como : "Uau, o cara manda bem. É artista. Usa Mac." ou "Pernóstico e exibido este cara do Mac, meu PC faz a mesma coisa e é mais barato."


Agora o Mac não provoca reações de amor e ódio. Não é mais apenas uma plataforma preferida por "artistas" ou "alternativos". O Mac é pop. E graças a inclusão de consumo em nosso Brasil, aquela mesma que permitiu a pessoas que nunca viajaram para fora do País conhecer o exterior, este desenvolvimento de consumo, (torcendo que não seja uma bolha), trouxe a reboque a popularização do Mac. Hoje o Mac é pop.


Claro que produtos como o Ipod, Iphone e Ipad trabalharam esta marca. Produtos que traduziram categoria pelo bom marketing da Apple. Se antes era uma love mark restrita, a qual era defendida com unhas e dentes, hoje é preferida. Popularizada ao extremo. Menos love e mais mark.


Antes usar o Mac passava alguma coisa. Uma aura de artista. Hoje, não mais. A marca não agrega nenhum valor subjetivo ou aspiracional, mas o Mac continua muito mais interessante que a maior parte de seus concorrentes. E cada dia mais barato. Cada dia mais acessível.


Bom quando coisas boas saem do elitismo pretensioso e chegam a comunidades carentes. Que seja assim com a educação e com o chocolate belga.



Este Mac da foto é de 1993/4. Foi ligado e funcionou. Mesmo tendo ficado jogado por mais de 10 anos no meio da umidade. Deve ser convertido em um Bettario em breve.

domingo, 17 de julho de 2011

Cigarros e comportamento

Outro dia ouvi de uma amiga de minha filha :
"Gente, vocês não imaginam... vi uma novela antiga e as pessoas fumavam dentro de casa e ninguém falava nada".
Aquilo me surpreendeu. E foi aí que notei. Eu também entrei nesta onda "modernosa" de combate ao fumo. Tanto que eu casa tenho um local que fumo meus charutos e cigarrilhas. Meu "fumoir". Coerente é que o "fumoir" tem um ar retrô. De passado. De quando as pessoas fumavam impunemente. Madeiras mais pesadas, móveis antigos e esboço do grande pintor na parede. Agora com o telefone de disco, (outra coisa que espanta as novas gerações, elas nunca usaram um telefone de disco) , parece um cantinho do passado que liga a gente com o presente. Detalhe, o telefone ainda funciona. Um beijo para a Sandra pelo presente.

sábado, 16 de julho de 2011

Disney

Ele não questionava o fato dos pais não deixarem ele conhecer os personagens da Disney. Como Mickey não despertava seu interesse, não se levantava contra isto. E os pais incentivavam que ele questionasse. E ele questionava praticamente tudo. Era uma criança "chato-adestrada" por pais que viam na contestação a única forma de existir.


Eis que um exemplar da Paris Match. Encontrado ao acaso. Falava das florestas de Bariloche, que para ele era San Carlos. As florestas daquela que ele achava sua terra. As árvores que ele via nas fotos onde ele mesmo aparecia. (Não se lembrava que estivera ou mesmo não se lembrava que ele existia. Ainda não. Mas efetivamente estava nas fotos). Aquele cenário, tão conhecido por ele, ao menos nas fotos, era a fonte de inspiração para o desenho animado "Bambi". Aquele do veadinho. Sem nenhuma agressão ao politicamente correto ou duplo sentido.


Mesmo com diversos desenhos tchecos, sem nenhuma legenda, que o pai disponibilizava no projetor de 16mm, sem audio, ele queria ver o Disney com o Bambi. Queria ver o que "inimigo" teria feito com um local que ele conhecia. Queria ver se ele contava mesmo mentiras. Ali ele conhecia. E não seria um desenhista do imperialismo yankee que conseguiria enganá-lo. Ele não era bobo. Já tinha 8 anos.


Viu Bambi. Seu primeiro contato com o Mundo Disney. Se emocionou com a cena da morte da mãe. Entendia bem aquilo de alguma forma. E o apartamento do 18º arrondissement de Paris, numa tarde fria de um fevereiro, ficou ainda mais gelado.


Até hoje a dúvida se era uma janela ou uma ferida aberta.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Últim vôo do ônibus espacial

No clima de falar/escrever na primeira pessoa, eu que nunca quis ser astronauta - (que nunca consegui nem gostar de ficcção científica, sempre preferi ver e rever um documentário sobre futebol ou um de terror clássico ou mesmo uma comédia, a qualquer Star Wars ou similar). Eu que nunca joguei RPG, que nunca tive o menor saco para todos os filmes de ficção científica, incluindo "2001", que vi por obrigação. Todos os autores de ficcão científica, tirante Julio Verne, Lovercraft e HG Wells, achava e ainda acho um saco. Quase tão chato quanto Senhor dos Anéis. Pois bem eu que nunca quis ser astronauta. Que sempre fui terrestre e terráqueo. Fiquei triste com o último vôo do ônibus espacial. Quase deprimido.

http://www.nasa.gov/mission_pages/shuttle/main/index.html

O ônibus espacial era a visão romântica de futuro de minha geração. Uma visão do passado para o futuro que não virou presente. Até mesmo os que nunca pensaram em ir a Cabo Canaveral viveram isto. Nós que crescemos nos anos 80, vendo filmes do Stallone e do Schwarzenegger, ok, alguns do Chuck Norris e revendo Ferris Buellers. Nós que vievmos esta época de cabelos cafonas, que tivemos o disco LP Thriller do Michael Jackson, crescemos tendo a Nasa como referência de "alta tecnologia" aplicada e exemplificada para todo e qualquer idiota. Ainda não tinha a Super Interessante nas bancas, nem a internet para pesquisar e dar substância ao curioso e chato. O ônibus espacial era aquela coisa mais popular na exploração do espaço. O próprio nome nos dá uma idéia cotidiana, ao nosso lado. "Ônibus". Vou fazer o sinal no ponto e vou a Lua e volto.


Então ver o último vôo, certificar que as Utopias de parecem ter acabado, que Che Guevara hoje é tão pop quanto uma Coca-Cola, que o Muro caiu tem mais de 20 anos, que a "corrida espacial não faz mais o menor sentido". Ver tudo isto dá uma sensação de ter uma história vivida por mim e pela história. Como se desse para sentir-se parte integrante de um processo muito maior que você ou sua existência. Sentir que o que você viu e viveu como testemunha, passa a ser história. A constar nos livros. As notícias que você leu. As histórias que você viveu. As músicas que você ouviu. O que você se vestiu. Tudo isto passa a ser história da humanidade. Você, mais que apenas a passiva testemunha, passa a ser história vivida.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

1982 - Quando nosso muro caiu



A nota de ontem no Ancelmo gerou telefonemas e e-mails. De gente interessada em dar depoimentos e contar causos sobre aquela eleição, que foi a mais importante da história da democracia brasileira. E eu explico. Se o Chile na década de 70 propiciou a chegada de um socialista pelas eleições, os cariocas levaram um socialista - considerado o maior inimigo do regime militar vigente- ao poder também pelo voto. A vocação do Rio de Janeiro de vanguarda. Quase que a celebração da República Independente do Rio de Janeiro.

O documentário não tem a pretensão de ser um programa político. Nem de agradar um ou outro, mas sim dar importância a um ano que se teve o início da redemocratização no Brasil, uma Seleção Brasileira de futebol mágica e os passos da popularização dos jovens cronistas daquela época, que usavam o Rock para se manifestar.

Celebrar este Rio de Janeiro de vanguarda, gauche e de contra cultura. Porém sem ufanismos, mas apresentando os fatos. Com o Rio em evidência mundial temos que compreender a nossa essência para entender a real vocação contida no nosso DNA.


domingo, 3 de julho de 2011

Seleção Brasileira de Futebol - Feminino

Torço muito pelas meninas do futebol brasileiro. Muito mais que pela Seleção Principal Masculina. Hoje por exemplo, vou ignorar o jogo do Brasil na Copa América. Marta e Cia parecem jogar com amor. Não parece como os mimados mercenários da Seleção do Mano. Isto não é culpa do Mano. Nem dos mimados. Mas do Star System que alça bons jogadores a categoria de craques e craques a categoria de gênio. Tudo por razões de marketing. E boa parte da imprensa entra no barco.


Já as meninas do Brasil, sem nenhum apoio da CBF e seus patrocinadores master, jogam com vontade. E a imprensa parece ignorar. Salvo o Luciano do Valle. Um cara que apoia o futebol feminino desde o começo.


Marta está anos luz a frente de todos os jogadores brasileiros em atividade (do futebol mais ou menos masculino - esta seleção é tão cheia de mimadinhos que eles não jogam futebol masculino, jogam algo no meio termo. Pois se encostam caem, jogam olhando para o juiz. Falta de bolas de quem nunca jogou pelada de rua.)


Hoje conseguiram fazer mais uma que os jogadores de futebol masculino nunca conseguiram: ganhar da Noruega.


A verdade é que as meninas jogam com um romantismo, menos business, mais vontade. E eu gosto disto. Sou um romântico.


Sobre Marta, bem, ela é um caso a parte. Ser o maior futebolista brasileiro em atividade, de um País proclamado como o País do futebol diz tudo.

sábado, 2 de julho de 2011

Itamar

Estive com o ex Presidente Itamar Franco duas vezes. Uma foi bem rápida. Na outra, falando sobre algumas pesquisas, ele já como ex-Presidente, foi uma agenda bem demorada. Ele realmente tinha um carisma do não carisma. Quieto. Mineiramente quieto. Porém educado, simpático, despido da empáfia e do solene. Ao menos naquele dia, eu posso assim garantir.


Mas vale lembrar que Itamar : fez a maior troca de uma moeda da história do planeta. Conseguiu segurar as instituições num momento que o Brasil poderia ter vivido uma convulsão golpista. Por saudosismo trouxe de volta o Fusca (o que para quem acha o Fusca uma obra de arte é um mérito) e ainda conseguiu fazer o seu sucessor. Se Itamar não foi um grande Presidente, ele foi o Forrest Gump. Tudo deu certo num momento em que era destinado a nada dar certo. E ele estava neste momento.


Depois vieram os anos FHC. E com um pouco da soberba do consenso dos bacharéis tentaram apagar o legado do mais mineiro de todos os baianos. Mas como nada como um dia após o outro. FHC acabou tendo a mesma moeda de Lula, que conseguiu fazer com FHC o que FHC fez com Itamar, reduzir a sua importância e seu legado.


A importância de Itamar foi a calma. A valorização das instituições. A mineirice. Ou melhor a inteligência, ainda que sem o "glitter" de uma liderança carismática como Lula ou com a necessidade de se mostrar sábio de FHC. Itamar foi discreto até na hora de sair de cena.

Contradição

Sou o egoísta mais solidário.

O hedonista que sabe sofrer.

O brasileiro que não torce contra a Argentina.


Sou um carioca que gosta de chuva.

Sou a contradição

tal qual

o pois sim

que é pois

não.




quinta-feira, 30 de junho de 2011

Moleskines de viagem

Eu carrego Moleskines e rabisco neles. Desenhos e anotações. Só sinto falta do Angry Birds.






Stonewall , um exemplo

Quando eu vejo a história dos pioneiros dos direitos civis dos homosexuais, na história de Stonewall, vejo que aqueles caras ali foram "machos de verdade". Que exemplo. De coragem. De luta por Direitos Civis de seres humanos. Vontade de dizer para o pessoal que prega diversidade hoje em dia "deixem de ser bibas afetadadas", mirem-se no exemplo dos caras de Stonewall. Aquilo era luta por direitos civis de verdade.


Não sou nada homofóbico. Não gosto de homofobia. Nem heterofobia. Nem de pasteurização de pensamento. Também não gosto de gente enrustida em seus armários ou "bichisse extrema e desnecessariamente afetada" que condena qualquer ato hetero como homofobia. O cada um faz é de seu direito, escolha, preferência ou determinação genética. Pouco importa. Desde que as claras. E entre adultos. E tão chato quanto um Pastor Conservador segurando a munheca e tentando bancar o "machão" vociferando idiotices, é alguém condenando quem pensa diferente. Ou uma piada mais tosca. Como um ato de "homofobia". Detesto patrulhamentos. São dois lados da mesma moeda chamada idiotice.


E enrustidos, os caras lutaram, correram risco em Stonewall. Para que vocês não precisem ser enrustidos. O mínimo que vocês tem que fazer é saírem de seus armários. Por dignidade e transparência. Aos homofóbicos que conseguiram passar do analfabetismo funcional, vejam o documentário sobre Stonewall. É da PBS. Coloquei o link aqui.


Documentário Stonewal On line PBS

terça-feira, 28 de junho de 2011

Encontros na Padaria

Pensando no sabor dos suspiros do Mei Ji (uma lojinha que tinha no Leblon duas décadas passadas, não me recordo se a grafia era esta. Ficava ali na Ataulfo de Paiva entre João Lira e Bartolomeu Mitre) e, por estas coincidências, aconteceu algo que cada dia é mais raro. Encontrar ex amigos perdidos para o tempo. A culpa de não mais se repetir estes encontros inusitados? Das redes sociais. Pois mesmo que não queira, ou não adicione, vemos os amigos e amigas que não mais encontramos. Acompanhamos sem surpresas seu envelhecimento.


Encontrei esta amiga. Ela em trajes quase "chassídicos". Soube que ela esta morando fora do Brasil. Preferi não entrar em detalhes. Talvez pelo protocolo da intimidade perdida. Ela disse que eu estava muito bem. Eu retribuí o comentário. Falamos de filhos. Ela 3 a 1 comigo. E de como o tempo voa. Ela me falou que se lembrava muito de mim com a mesma música, (que eu confesso não lembrava do fato) , a do Richie Havens. Agradeci. E por educação, também lhe dei uma música de presente. A da banda que ela era alucinada. Madness. Ela se emocionou com a minha lembrança. Falei para não se emocionar, pois minha memória se lembrava até do suéter verde que seria conveniente não lembrar. Ela riu com os olhos. Fez o olhar fugidio, arisco e olhou para o chão. Por um instante ali estava a adolescente do passado. Não trocamos telefones. Nem email. Nem profile de Facebook. Trocamos apenas canções. Peguei a Focaccia. E segui. Como se encontrar com ela fosse a coisa mais natural do mundo.


Um encontro fugaz. Meio túnel do tempo. Com gosto bom e doce como os suspiros que eu estava pensando.



segunda-feira, 27 de junho de 2011

Passividade Brasileira

Não vou entrar no debate retórico de privatização ou estatização. Isto já foi superado. Prefiro focar no funcionamento e inoperância. E alguns serviços públicos no Brasil são vergonhosos para um País que ambiciona vôos de qualidade.

Prefiro não citar educação, que junto com logística/infraestrutura será o gargalo que evitará que o Brasil seja grande no tempo que poderia ser. E educação não é apenas o "education", que temos índices vergonhosos, mas noções de cidadania, política e convívio. Caso contrário estaremos criando o "Brasil, País de Bárbaros". No pior tipo de barbaridade: a falta de educação de classe média emergente, que resolve repetir os erros, no estilo ex dominado imitando o dominante. Vou falar apenas de uma empresa, a Light, que fornece energia para a Cidade do Rio de Janeiro e serve de exemplo de péssimo serviço prestado. Falta de respeito com o cidadão e falta de cobrança do poder público.

Começamos a tolerar não apenas a falta de luz, mas bueiros explodindo. Isto é uma vergonha. No melhor estilo pomposo e exagerado do Boris Casoy Vergooooooooonha. E o pior é a nossa leniência e tolerância. Se houvesse a clara distinção entre público e privado, fundamental para uma economia de mercado, uma empresa como a Light já teria sua concessão cassada. E não culpem problemas anteriores, gestão anterior etc e tal. Quando se compra uma empresa, compra-se passivo e ativo. Incluindo aí os problemas. Também não coloco esta culpa apenas no atual Governo. Isto vem de uma tradição de um País sem transparência e sem a distinção do que é público, o que é privado e qual é o real papel das agências reguladoras.

Sei que bueiros que explodem como minas terrestres, dá vontade de denunciar a Light na ONU. Pois parece que por aqui o MP anda muito light com a Light. E a Assembléia Legislativa fica em silêncio. Só nos resta a ONU.

Por mais que usemos o humor, de dizer que quem tem Light não precisa de Al Qaeda, que o carro da Light mete mais medo que o Caveirão, que vamos denuncia-la na ONU por uso de minas terrestres, o assunto é sério. E cabe a imprensa ou a sociedade civil cobrar providências.

Minha sugestão de Mundo Ideal, é que todos os serviços prestados no Rio fossem cassados "a bem do serviço público" e alvo de licitação internacional. Exemplos? Barcas S/A, Metrô, SuperVia e, é claro, a Light... Abrindo uma caixa preta. Deixando empresário ganhar dinheiro, claro, vivemos no capitalismo, mas que entregue serviços dignos a quem paga por isto. E não com esta tipo de parceria entre o ente público e privado que parece perpetuar a ineficiência dos piores serviços estatais do passado e a falta de transparência das empresas privadas do mesmo passado. Garanto que um bom escritório de advocacia, junto aos Procuradores e MP descobrem possibilidades jurídicas deste tipo de ato. Sem arbitrariedade. Sem violação do Estado de Direito ou da Segurança Jurídica.

Se isto não partir de nossos Governantes, uma postura forte de cobrança de melhora dos serviços da Cidade, agora que o Rio é foco da imprensa internacional, em breve este tipo de cobrança não virá de um blog, do O Dia, do O Globo,do RJ TV... mas sim da The Economist, do FT Financial Times dentre outros.

Não tem esquerda. Não tem direita. Não tem privado. Não tem estatal. Pouco importa se o pato é macho. A população quer o ovo. Aliás, o omelete.


Alguns links para lembrar da Light e suas minas terrestres:




domingo, 26 de junho de 2011

Um Rio "europeu"

Se existe algo que me remete a diversas Cidades Européias, diversas mesmo, é a presença do letreiro em forma de "Cruz" iluminado nas farmácias. Ok, se isto fosse feito em todas as farmácias Copacabana seria Las Vegas devido a quantidade de farmácias que pipocam nas ruas.
Mas esta Drogaria traz este símbolo universal de "Farmácia" que eu tão pouco vejo por aqui.

Glee

Eu realmente pouco vejo de TV. Aberta ou fechada. Tirante os canais all news que, por ser "news addict" eu deixo ligado me acompanhando CNN e Fox News.(Por sinal a Fox News é divertidíssimo, parece que conseguem dar espaço a todos os "Bolsonaros" americanos).Mas, os filhos nos atualizam em muitas coisas. (Se deixar a sua mulher lhe atualizar você acaba sintonizando no GNT, um Canal que para quem tem a combinação de testosterona neurônios é impossível de assistir).
Glee, um seriado bonitinho, que minha filha adora, eu as vezes deixo rolar. Antes que os puristas falem algo, um programa que coloca as mentes com menos de 10 anos para ouvir AC/DC deve ser louvado. Ainda que seja uma versão "farofa/palha". Mostra que o Rock and Roll, assim como as tatuagens, saiu da galera do fundão. Virou pop.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Just Kids


No mundo imbecil do Reality e do excesso de celebridades (a única coisa que tem mais que celebridade é DJ, como se adaptasse a frase do Andy Warhol, no futuro todos serão DJs por 15 minutos) eis que uma biografia, bem escrita e de gente que vale a pena você saber mais. Diferente das pseudo celebridades das revistas de fofoca.
Até o livro eu desconhecia a relação próxima dela com o Robert Mapplethorpe.
Altamente recomendado Patti Smith, "Just Kids".


quinta-feira, 23 de junho de 2011

Quando se faz 30 anos

Quando se faz 30 anos passamos a ter batizados para ir.
Quando se faz 30 anos já temos mais de dez anos de memórias do "mundo adulto".
Quando se faz 30 anos é normal que nossos avós morram.
Quando se faz 30 anos você abre mão de alguns sonhos. Outros novos sonhos chegam.
(O meu era ser piloto de F1. Ganhar um título. Talvez dois. E vencer umas quatro ou cinco corridas em Mônaco.)
Quando se faz 30 anos você passa a ter alguma canção, quem sabe mais de uma, que quando toca(m) aperta(m) seu peito. Faz(em) sentir uma saudade tremenda. Não de momentos ou de outras pessoas. Saudade de alguém que não existe mais. Aquele você do passado.
Quando se faz 30 anos é que você nasce de verdade.

Manhattan
Verão 2003
Você tá entendendo?


quarta-feira, 22 de junho de 2011

O Gol mais bonito de todas as Copas

25 anos. Isto mesmo. Um quarto de século que Maradona marcou no México aquele que foi o mais belo e emblemático Gol em Copas do Mundo.
Como as viúvas do Pelé quando ouvem a palavra "Maradona", dizem "Pelé", não tiro a genialidade do camisa 10 Brasileiro.
Pelé no México em 70 teve grandes jogadas. Geniais. Como a cabeçada defendida pelo Banks. O Chute do meio de campo que quase foi Gol. O drible de corpo no goleiro uruguaio, que na conclusão não entrou.
Mas Maradona foi genial e o resultado foi Gol.
Os campos do México coroaram os dois maiores camisas 10 da história.

Este Gol eu lembro como se fosse hoje. Agora. E já tem um quarto de século. O bom de envelhecer é ter memória ampliada, o que possibilita um dia muito maior que as meras 24 horas. As referências e as lembranças ampliam. O horizonte. E o critério.

Não é saudosismo. É história vivida e vista.

Versão Poesia e Versão Jornalística do Gol do Século.




domingo, 19 de junho de 2011

Festas de Casamento

Os amigos já sabem que não vou a Casamentos. Mando presente como manda o protocolo, mas acho as festas mais chatas que já inventaram. Ficam próximas da entrega do Oscar, pela televisão, com comentário do José Wilker, e de Festa Junina, ao vivo, qualquer uma onde quer que seja, sem comentários.

Em Festas de Casamento descongelam o Barry White. E canta aquela versão dançante de Your Song. Uma falta de respeito.

A maior parte dos figurinos, (Momento Cristian Pior), sejam as mulheres com os vestidos de alcinha, ou com aquele brilho de seda, que acham chique, mas parece javanesa de terceira. Maquiagem que se gastou tempo e dinheiro para ficar melhor(na teoria) e na verdade está fantasiada. Olhos coloridos com cores fortes é um exemplo de mau gosto e de como a maquiagem consegue piorar uma mulher. Não tem como achar aquilo maneiro. Homens com ternos ou fraques alugados. A Roupa da Noiva é um caso a parte. Aliás na maior parte dos casos está sempre me provocando risos. Uma cerimônia e um visual que é tão provinciano quanto o baile de debutante. Só não cristaliza esta verdade pois tem toda uma indústria do casamento por trás. Mas não vejo muita diferença entre noivas e debutantes provincianas. O incentivo é o mesmo. O de dar um "dia de Princesa" para a mulher. Um atraso cafona e que coloca a mulher num papel de Barbie de branco.

A fauna do casamento? Mulheres desesperadas para encontrar um Marido. Mas serve um Noivo. Um namorado. Um amante. Um peguete. Homens pensando na boca livre e na chance de pegar mulher sem muito investimento, pois elas já estão mais dispostas. E com bebida grátis. (Uma palavra que bicão não pode ouvir). Já as "biconas" se agarram no espumante e pedem sempre mais "champagne", mesmo que seja uma Cidra Cereser ou Cristal Vintage. Se servir gelado elas não sabem a diferença mesmo. E os que vão como casal, vão para "encher a pança".

Se o casamento é popular, tem bolinha de queijo. O que é um alento. Se é pernóstico, finger foods pretensiosas e sabores que alguém leu que é chique e algum cozinheiro com pretensão de ter seu dia de Ferran Adriá executou.

Música ruim. Tirante o momento do set list que toca Sinatra. Mulheres que te olham achando que encontraram o homem certo para casar. Mesmo que você seja casado. Babacas informais vestidos de formais e Babacas formais que acham que podem ser informais e descolados e culpar a bebida. Mas são apenas babacas sem graça. Ambos. Comida pretensiosa ou com gosto e cara de buffet de hotel 4 estrelas. Bebida, bem, eu bebo pouco mesmo. Comida prefiro a dos restaurantes que frequento, das minhas andanças ou as que eu tenho em casa. Desculpa para ver amigos? Bem, se eles quiserem, apareçam lá em casa, mediante aviso anterior, que serão bem-vindos e o papo fluirá melhor. E agora que descobri o endereço da mulher que faz os mais famosos "Bem Casados" do Rio, mando fazer para comer no fim de semana. Casamentos realmente não tem nenhum sentido para mim na medida que posso comer "Bem Casados" sem precisar aturar a trindade do casamento : música ruim, chatos alcoolizados em profusão e mulheres cafonamente se achando chiques.

E a babação de ovo? Meus Deus, as pessoas pensam que se não forem ao casamento os noivos "vão sentir sua falta". Eles tem mais o que fazer do que "sentir a sua falta". Pode faltar que vão apenas fingir que sentiram sua falta por educação. Você não receberá nenhuma maldição por não ter ido. Desde que mande presente. E capriche em algo chique e inusitado. Mostre que não é nada contra o casal, contra a instituição, apenas contra as festas chatas. E não seja óbvio mandando algo da lista.

E os convidados ingratos? Se a Festa é boa, o invejoso que comeu de graça diz que os Noivos quiseram "ostentar" . Se é mais ou menos saem reclamando como se tivessem direito a passar no ProCon e fazer uma queixa pelo direito do Consumidor.

Na verdade não gosto de casamento porque Casamento na verdade é uma Micareta com um bando de gente vestindo terno e gravata. Como não gosto de Micareta, sou coerente. Ou talvez por critério. E até mesmo por compaixão pois, detesto sentir "vergonha pelos outros". E poucos lugares eu sinto tanta vergonha alheia quanto numa festa de Casamento.

Case, mas não me chame.
Salvo se for o caso de uma cerimônia extremamente reservada e elegante.