sexta-feira, 22 de junho de 2012

Rio +20 - Saldo positivo para Cidade

Se o resultado "ecologicamente" foi de poucos avanços, para a capacidade do Rio em grandes eventos foi um excelente teste. E a Cidade foi aprovada. Vivemos um mega evento com participação social, pompa e circunstância ao mesmo tempo. Ainda vimos manifestações populares num show de participação de verdade. Num show de democracia. Ainda que o pensamento politico-econômico-social ser hoje tão pasteurizado dentro da "social democracia" vigente quase ditatorial. Vimos manifestação de verdade e não "flash mob" com assinatura de marketing.


Mas no quesito, Cidade Sede, o Rio  deu show. As instalações. As interferências. A programação. Variada e quase impossível de acompanhar. Parece que faltou um local de convergência total e intuitiva. Um canal Rio+20. Um ambiente. Fica a dica. Mas o Rio. Cidade. Estrutura. Foi muito bem. Pequenos engarrafamentos para passagem de Comitivas, mas nada tão mais estressante que o dia-a-dia. A Prefeitura pareceu bem capacitada. A orquestração entre esferas de poder, pelo cenário externo parece ter funcionado. Em que pese pequenas reclamações particulares que devem ser apuradas. Mas a Cidade recebeu o selo de aprovação. Ao menos de um cara que é apaixonado pelo Rio. E por isto mesmo não perde o senso crítico. O Rio foi muito bem no teste. E a curadoria de eventos foi muito boa. O Rio não deveu a nenhum grande Centro mundial em termos de programação, conteúdo e eventos. Foi uma nítida demonstração deste mundo novo que vivemos, onde Países anteriormente secundários, hoje são protagonistas. Somos protagonistas. Somos novos atores do cenário mundial. Passa pelo Brasil. Passa pelo Rio. E a qualidade do apresentado nestes dias foi uma clara evolução.


Momento único que esta Cidade está vivendo. A história não é linear. Este momento será de constar nos livros.


Choveu? Sim. E ainda assim a Cidade funcionou sob chuva intensa com um Mega Evento como a Rio+20, a UNCSD. Uma centena de Chefes de Estado. E a Cidade não pareceu mais estressada que numa sexta feira do mês de setembro. A Feira da Providência já incomodou muito mais no passado que um Mega Evento como este. Ou seja, evoluímos muito. Centenas de Chefes de Estado causam menos tumulto que dezenas de barraquinhas de Países. E o Corcovado estava lindo numa foto em cinza, branco, preto e verde. E isto basta. 

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro consegue ser europeu e africano ao mesmo tempo. Isto faz esta Cidade única. Uma eterna Corte. Tropical e despretensiosa. Ser africana e caucasiana ao mesmo tempo. É mais do que ser mestiça. É ser múltipla. Apaixonante.

Pedalar no Rio com chuva. Pedalada noturna


Num dia de grande evento na Cidade, onde boa parte das comitivas parece estar curtindo mais o RioSul que o RioCentro, digo que a Cidade está maravilhosa. Em todos os sentidos. No sensorial. Aromas, por exemplo.

A chuva, providencial, protegendo os visitantes da praga nossa de todos os dias, dengue. E a Cidade num colorido que parece a ONU com um quadro do Zorra Total a julgar pela variedade dos trajes e cores.

E numa noite de chuva, após o brilho na tarde - sim em função do fuso do outro lado do Atlântico, após o brilho vespertino do Ronaldo lusitano, uma vitória épica que parece querer redimir uma geração que teve no seu início, seu ápice. A vitória sobre o Brasil no Sub 20 da FIFA de 1991 com o velho estádio dos encarnados lotado como no passado. Pois o português, que tem alguma coisa de Michael Jackson, pelo pop, pela genialidade, pelo desejo midiático. Pois Cristiano Ronaldo  é bom de bola. E decisivo. Ao menos até agora foi. E Portugal vem oferecendo  uma superação coletiva, um amor pela bola e a presença do talento individual decisivo. Chamando para si a responsabilidade. O título, se vier, é um detalhe. Mas parece que ficará em boas mãos caso vá para Lisboa. Portugal, pelo histórico nos últimos 10 anos, está entre os grandes do futebol. E EuroCopa é uma festa. Das que eu mais curto. E pelo prazer presencial nem a Copa do Mundo chega perto. A proximidade dos Países na Europa e a malha de transporte faz a festa das torcidas se deslocando.

Um "Bansky Tabajara" em Ipanema.

Quiosques Aromáticos. Flores. Caril/Curry. Chuva.Terra molhada. Praça Nossa Senhora da Paz.
Voltemos ao Rio com chuva. Pedalando, ao ver minha sombra, com capuz e a cesta na frente da magrela, a inevitável  lembrança da cena clássica de "ET". Mas sem Bicicletas Voadoras. Assim como a lembrança paternal, do "Parapluie de Cherbourg", mas sem Catherine Deneuve.

Pedalar na chuva resgata um prazer quase adolescente. Despretensioso. Completamente sem motivo. Sem razão ou responsabilidade. E pedalar na chuva, adulto com esta consciência é como terapia de regressão. Sem nostalgia. Sem paranóia. Sem dramas. Apenas relaxar. Aproveitar a chuva. Ver o mundo como uma pintura impressionista. Sentir o aroma da chuva, da terra molhada, mesclado com o aroma das flores dos quiosques da Praça Nossa Senhora da Paz. Ouvir os sons além do próprio Ipod. Ver a convivência harmoniosa de um samba, dos bons saindo de dentro do Bip Bip com direito a Alfredinho reclamando, com um Hendrix do lado de fora e um pagode rasteiro e popular. Aqual mistura que Copacabana sabe fazer. E fica um passeio completamente sensorial. Campo para todas as sinestesias de cores, sons e aromas.

O Rio com chuva fica perfeito. Quem não nota é por falta de sensibilidade. Ou por ser um chato. Pedalando é como se sentir com 15 anos. Sem para isto ser completamente ridículo. Apenas o limite tolerável.

domingo, 3 de junho de 2012

Futebol e Crise econômica


A Grécia foi campeã Européia. Foi para o buraco na economia. Espanha foi campeã Mundial, e a economia espanhola desandou de uma forma de ir para Terceira Divisão.

Agora, cresce a economia brasileira. Começamos a atingir patamares econômicos e sociais que nossa geração jamais imaginou que seriam atingidos na nossa geração. E parece que desaprendemos a jogar bola.

Se houver alguma conclusão, sem sofismar, parece que bom futebol fica incompatível com economia forte.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Leco Néctar de Laranja Light

Existem alguns delicados prazeres do envelhecer, ouvir,  sem causar espanto nos demais, tangos, blues, ramones e cole porter, por exemplo.
De sopetão, um solo de guitarra, distorcendo e microfonia com o amplificador, Deus, poucas coisas são tão adolescentes. E deliciosos. Imprudentes. Puro Rock. Farofa de essência.
Como uma deliciosa pedalada. Noturna. Pelas ruas do Rio. Luzes amarelas. Luzes dos carros de polícia. Maresia. Relógios marcando temperatura inferior a 18ºC. Inverno carioca.
Chega a marca, 28 quilômetros.
E Leco Nectar de Laranja Light. 62% Menos valor energético. 
Tranquilamente 82% Menos sabor.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Futebol e paixão

Eu sou muito exigente com o futebol. Os motivos vão desde criação, avô dirigente de Clube e pai representante na Federação na época que Cartola era amador e as coisas funcionavam. Dirigente de Clube- sem ser ligado a contravenção, sem estar de olho nas divisões de base para ganhar dinheiro cafetinando/vendendo os meninos, sem pensar em lavar dinheiro, muito menos usar dinheiro de cooperativa para achar que é amado pela torcida- nesta época, de menos profissionais e amadores, tudo parecia mais romântico quando dirigente tirava do bolso e não colocava no bolso. Sou fruto desta época e quando fui Vice Presidente do meu Clube de coração, mesmo com o conhecimento em marketing esportivo e MBA no currículo, foi por amor. 


Com a crônica esportiva sou tão inclemente como sou comigo. Levo a exigência ao extremo.


Nunca entrei na onda do "barcelonismo". Sempre banquei o chato dizendo que o time é um monte de anão rodando a bola, com muito tempo de posse e um gênio chamado Messi. Mas ainda falta muita coisa, entre elas Pep Guardiola mostrar que tem talento e não apenas o sambista de uma nota só. Iniciar ganhando muita coisa, quase tudo, pode ser talento. Ou sorte. O estranho é ver a crônica que ontem idolatrava e torcia falando que "o Barcelona não é tudo isto". Ou o velho discurso com a chancela do Zagallo "contra o Barcelona todo mundo quer ganhar e jogam na defesa". 


Fiquei feliz com a vitória de um bando de veteranos, comandados por um interino. Eles mostraram que futebol talvez seja o único esporte coletivo que o mais fraco pode ganhar do mais forte. Sim, claro, o Barcelona é muito superior ao Chelsea. Mas ontem não foi. 


Hoje, as ruas e os populares entrando na globalização torcendo diante dos aparelhos de TVs dos bares. Parecendo um jogo de algum time da Cidade. Um Flamengo e Vasco. Mas era Bayern e Real Madrid. E conforme minhas apostas de bolão, como sempre jogo no time do contra, mas uma vez acertei em cheio. A final dos meus sonhos : Bayern e Chelsea. Nada contra o genial CR-7 ou o retranqueiro e marketeiro Mourinho. Apenas por ter colocado no Bolão esta final. Entre londrinos e bávaros.


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Salve Jorge


Sincretismo. Não apenas religioso, mas cultural. Une Inglaterra, Brasil, Portugal, Africa. Tudo junto e misturado. São Jorge é a globalização. É o guerreiro. É o exemplo. Independe de religião.

Adaptando Andy Warhol






In the future, everyone will be a
photographer for 15 shots...

domingo, 22 de abril de 2012

Música que traduz uma época

Talvez esta música do Man at Work não diga muita coisa para ninguém. Mas quem viveu o Rio de Janeiro, anos 80, Zona Sul carioca, se lembra desta música. Parece até que o tráfego fica melhor e que as pessoas estão vestidas com roupas e mochilas da Company.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Misogenia e Miopia

Outro dia recebi um comentário da Miriam Leitão e Cora Ronai, via twitter, criticando Jacob Zuma pela sua quantidade de esposas. Achei o comentário de um etnocentrismo pueril. Sim, para nós isto é um ato moralmente questionável, mas será que fere a ética? Esta sim imutável e única. Ou seria um mero comentário eivado de preconceito com a cultura local?

A mim incomoda muito mais que no século XXI existam mulheres recebendo salários menores que de homens, ainda que executando a mesma tarefa. E este tipo de humilhação, discriminação/violência acontece aqui deste lado do Atlântico e não no continente africano. Isto sim é um ato de misogenia fora do tempo. Como diria Casoy, "Uma vergoooooooonha".


terça-feira, 17 de abril de 2012

Pedalando, pedalando


Acredito que o uso regular e consciente da bicicleta para deslocamentos de até 8 km é a forma mais humana, intligente, sustentável e saudável.
A forma com a qual a bicicleta é respeitada, e a forma com a qual o ciclista respeita as leis (não andando na calçada ou na contra-mão) mostra a evolução de uma sociedade.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Bom mergulho, mana querida.

sábado, 7 de abril de 2012

Sabbatum Sanctum

Sábado de Aleluia é dia de samba.
Holy Saturday is samba day.
Amanhã é dia de chocolate.
É isto?
Tomorrow is chocolat day.
Is it?


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Chiclete de ouvido


Fui dormir e acordei com esta música na cabeça. E a prévia de uma tela antiga.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

TV e lembranças



Galvão pode dar emoção, mas é chato desde 1988. Porém não quebra a emoção da cena. E este encerramento da TV Globo tem uma das aberturas mais poéticas "apenas o tempo necessário para você despertar para um novo dia, uma nova vida" é texto de rádio AM.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O tempo é inexorável

Uma das coisas chatas do tempo, é que ele sempre nos derrota. Até mesmo quando a gente acha que está ganhando dele, levando pessoas queridas, ele ganha da gente. Perdi a minha irmã. Incrível como tem gente do bem sendo chamada para o andar de cima. Bem, irmã querida, o que posso fazer? Acender uma vela, um incenso, fazer uma prece e lembrar de um monte de coisas boas.


E lembrando dos climas de "sarau" onde você fazia voz e duo de violão com nosso pai. Bem, escolhi esta música, que para mim sempre foi cantada por vocês dois. Moniquinha e "Véio Graça". Façam um dueto onde vocês estiverem. Cantem esta música.

Sempre me lembrei de vocês dois com esta música. Hoje não poderia ser diferente.





quarta-feira, 28 de março de 2012

Impressões



Alguns momentos eu tenho a impressão que Che Guevara e Audrey estão mais vivos hoje em dia.
Sometimes I have the impression : Che Guevara and Audrey Hepburn are more alive than when they were alive.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Arte e o sensorial

O sentido "xperience" tão arduamente falado pelo marketing e pelo business, buscando o sentir, envolver os sentidos de formas múltiplas, vem sendo cada dia mais bem explorado pela arte e e seus desdobramentos multi mídia. Até os mais simples que já eram disponíveis desde muito tempo, agora tem uma abordagem que chega perto do popular. Nada de alta tecnologia. Tecnologia básica aplicada a arte contemporânea. Vi e gostei semana passada em Berlin. Ryoji Ikeda. Hamburger Bahnhof, onde existe o mais charmoso café de Museu do Mundo.

Site Artista
Ryoji IkedaLink

Cada coisa no seu lugar

Eu sempre aodrei os aromas de canela e cravo . E sempre detestei os cigarros de "Bali" Gudang Garan. Nos anos 90, uma certa moda no Rio de Janeiro, até caírem no mais completo obscurantismo cafona atual. Sim, houve época que Gudang chamava "gatinha" na night. Era um atrativo. Mas graças ao bom Deus, este tempo passou. E as gatinhas daquelas épocas estão em casa com filhos. Mas o Gudang Garan foi formalmente proibido pela Anvisa no Brasil. Do Gudang, o mais engraçado presenciei em 2002, ou 2004, não me lembro bem. Em Paris. Na mesa ao meu lado, num café ao ar livre, um casal faz um cigarro. Um cigarro com tabaco e haxixe. Acendem. Em alguns momentos aparece o dono do estabelecimento. Pensei "Vai repreender". Quando ele chega mais perto, ele pede desculpa ao casal e fala algo como "Tabaco e Haxixe, tudo bem. Pensei que eram aqueles malditos cigarros de cravo." E aponta para uma placa que exibia a proibição do consumo daquele fumo dito como originário da Indonésia.

domingo, 18 de março de 2012

De Curitiba para o Mundo

Foi o Millor, acho que foi ele mesmo, que criou a máxima que "ritiba" significava : "do mundo" já as duas primeiras letras eram elas mesmas.

E hoje mil escritos do Paulo Leminski, apareceram em cadernos antigos. Fiz um apanhado e aqui copio, copilo. Uma forma de ser um pouco menos injusto com Curitiba.


"...tudo dito,
nada feito,
fito e deito..."



"Nunca cometo o mesmo erro
duas vezes,
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez."



"Abrindo um antigo caderno
foi que eu descobri:
Antigamente eu era eterno..."



"...Basta um instante
E você tem amor bastante."



"Repara bem no que não digo."



"Da noite vim para a noite vamos uma rosa de guimarães nos ramos de graciliano."

Berlim Clichet


Berlim. De bicicleta. No meio da madrugada. Final de inverno. Ruas desertas.

Rio Clichet

Manhã de rotina. Indo para o trabalho. Final de Verão.

Manhattan Clichet

Madrugada. Fuga noturna com a filha. Cachecol perdido e encontrado.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Berlim


Existem cidades que são "moráveis" e outras que são "para morar". E Berlim, mesmo sem eu nunca ter morado por aqui, julgo que se encontra no seletíssimo grupo de "para morar". Adoro retornar aqui.


Poder usar casaco de couro uma boa época do ano faz com que ela seja interessante, mas ainda assim não seria o suficiente, afinal em Anchorage AK, com todo carinho e respeito, também pode.


O que faz Berlim ser interessante vai desde a sua história, ainda nos anos 30, algo fascinante, a passagem do comunismo dividindo uma Cidade - algo inimaginável para quem não viveu os tempos de Guerra Fria. Eu tenho referências pessoais da infância que me remetem a esta Cidade. E começam na estante do meu pai com o livro "O Espião que veio do frio" os papos com meu avô e depois mais tarde com o filme de Win Wenders. A arte urbana e uma cidade que se respeita. Se moderniza. Mas mantém os seus "cantinhos como uma espécie de Lapa" onde floresce uma cultura que não aspira a pretensão de ser contra-cultura, apenas de se produzir algo criativo. Sem pretensões. E desta despretensão surge o novo. E isto me lembra demais o Rio. Sim, eu só consigo amar cidades quando eu encontro nelas algum ponto comum com o Rio de Janeiro. Não é etnocentrismo, nem egoísmo, é amor, é carioquismo mesmo.


Berlin tem ruas escuras a noite. Enquanto boa parte das capitais européias aumentaram a quantidade de luzes, Berlim propicia caminhadas deliciosas na madrugada fria, deserta com pouca luz. Algo confortante sem letreiros pulsantes , painéis publicitários excessivos, uma cidade iluminada como a luz fria , ou o excesso de luz que são expostas as batatas fritas antes de serem servidas no McDonalds. Por falar em McDonalds, sim, me incomoda um pouco ver o mesmo plantado na Alexanderplatz. Me remete ao delicioso "Good bye Lenin" um daqueles filmes que quem ainda não viu está em falta consigo mesmo.


E Berlin é tão interessante que contraria até aquela máxima vulgar e popularesca, "puta não sente frio". Aqui as meninas de difícil vida fácil, a maior parte com tipo físico do leste europeu, atléticas, não sucumbem ao frio exibindo seus corpos com roupas de ski. Nossas meninas em Copacabana, também atléticas, usam as roupas de ginástica, elas aqui, para segurar o menos dois graus de hoje, estão nas ruas usando roupas de ski.

terça-feira, 6 de março de 2012

Cinema em tela pequena, muito pequena

Acredito que o confinamento do avião nos proporciona ver filmes. Com certeza depois do cinema e das cabines da FOX (aqui com uma ponta de saudade) o local que eu mais vejo filmes, são nos aviões. Apesar da micro tela contrariar a dimensão da "tela grande".


Hoje tirei o atraso em 5 filmes que eu estava querendo ver. "Vi Se beber não case 2". Divertido, mas daquelas coisas que o interesse financeiro foi maior que o prazer do primeiro, assim como Matrix. O que vem a seguir é digno, porém completamente dispensável.


Vi Horrible Bosses, uma espécie de "Strangers on a Train"("Pacto Sinistro") para dummies. Parece um seriado de TV, meio Two and a Half Man.


Parei para assistir e sentir, "Descendants". História boa. Bem contatada. Uma nova visão de drama. Coloca o homem como o "esteio afetivo" de tudo. E isto nem Frank Capra fez. Desta forma isto é novidade no cinema. O filme é bom. Apesar do moralismo onde "a mulher distante do marido se envolve com um cara e ela romanceia uma vida que o cara que ela se envolveu nem sabia que ela pensava num sonho tão tolo para sua fuga da realidade". Ou seja a mulher em coma é uma besta. Poderiam nos ter poupado do moralismo misógeno. Poderia haver algum tipo de retorno. Ou será que é sempre assim, a mulher faz papel de idiota e romanceia o que um homem casado vê apenas como uma pulada de cerca? Clooney está perfeito. Consegue ser humano. Ser pequeno. E ser grande ao mesmo tempo. Como devem ser os humanos e não arquétipos da vilania ou uma eterna alma de "Melanie" do E o Vento levou. A personagem com mais elevados padrões de caráter que o cinema já fez. O filme mostra esta nova Hollywood, que pega roteiros como Miss Sunshine, Juno, Spanglish, As good as it gets e faz um belo filme, sem a paranóia ou a inveja do bom cinema europeu e sem esquecer que estão fazendo cinema nos Estados Unidos.


E vi também New Years Eve. E neste confesso que chorei. E não foi pouco. A convenção de Genebra ainda vai proibir a partiicipação de animais e personagens terminais, principalmente os realizados por grandes atores, como De Niro, que de tão discreto, rouba a cena. E este filme, cheio de personagens, meio sem um enredo, com uma trama em aberto, resolve e entretem bem. E Nova York participa do filme como atriz e tema. De todos, o único que veria de novo. Por Nova York e por um De Niro em cima de uma cama esperando para morrer que me colocou repensando em muita coisa do que faço, fiz e farei. Bom quando um filme simples deixa a gente assim, pensando.


domingo, 4 de março de 2012

Releituras e nostalgias


Eu ando muito anos 90. Culpando a tv a cabo, em grande parte. O acaso sempre me remetendo aos anos 90. E neste clima de "releitura" lembrei de imagens e sons. E de uma "musa pornô" que era tipicamente daqueles anos 90, que eram os oitenta se modernizando, a Kascha. Será que mais alguém lembra dela?

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

100% do Bem


Existem pessoas que contrariam as máximas e os rótulos. Ainda estarrecido e muito dolorido, com a morte de uma pessoa querida. Uma pessoa que contrariava o rótulo de "cunhado", quase sempre uma alcunha que nos remete ao inconveniente. E no caso do Manequinho, era exatamente o contrário. Uma pessoa que o papo, o momento, sempre fora deliciosamente despretensioso. Onde quer que ele estivesse, seria conveniente sua presença.


Eis as palavras que tanto me aproximavam do irmão de minha ex mulher: despretensão e leveza. Duas palavras que julgo inerentes ao bem viver.


Os papos musicais, sempre fantásticos. Com substância. Sem pretensão. Sem bancar o "professor de Deus". Afinal gente que banca "Professor de Deus" nunca será leve.


Entre muitas leves e divertidas passagens, acabei lembrando da cena em que eu, ele, seu filho e minha filha, andavam me mãos dadas em um shopping em Orlando. Estavam os debates sobre a união civil de pessoas do mesmo sexo em diversos estados norte americanos. Capa de revista com "A Nova Família". E as pessoas que passavam nos olhavam muito dedicadamente. Ele solta a pérola :

-"Guto, notou como estão nos encarando? Acho que as pessoas tem certeza que nós 4 somos a tal nova família..."


E com risos é que eu tenho a obrigação de me lembrar de você. Era seu sorriso "salve salve simpatia" que contagiava. Você tinha outras qualidades, mas eu prefiro ficar com a leveza, o bom astral, o sorriso, o bom gosto musical e com o fato de ser uma pessoa que poderia usar a camiseta 100%DO BEM. Coisa que cada dia menos gente pode usar.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

A imprensa e a cobertura da greve das polícias no Rio de Janeiro

Determinados fatos demandam uma abordagem com inteligência. De quem lê. E de quem constrói a notícia. Importante a clareza e a veracidade. Mas não devemos clamar por um estilo de cobertura que beira o espetaculoso. Como se estivéssemos diante de um programa de tv, ou ficção.

Estes momentos de espetáculo ou ficcional podem ser inocentes. Podem ter algum fundamento no interesse do dono da palavra, do veículo. Como algumas pessoas alegam a cobertura dos arrastões na praia de Copacabana na véspera de eleições municipais, tinham interesses diferentes que a mera notícia.

No caso da greve das polícias, longe de entrar no mérito, na justificativa, de citar parlamentares possivelmente envolvidos, da boa presença da Presidenta Dilma, ou da própria greve, se atendo apenas na cobertura da imprensa, até agora a mesma foi madura. Precisa. Não usou o espetáculo para "vender o medo" e com ele capas de jornal. Fez um pacto silencioso. Não com este ou aquele governo. Fez um pacto silencioso com a sociedade. E nos jornais uma cobertura que me lembra muito a cobertura de casos que acontecem em Israel. A imprensa noticia. Não omite. Mas não transforma o ato em espetáculo.

Em resumo, parabéns a maturidade da imprensa carioca. Que "não bateu palma para maluco dançar".

Jorge Ben Jor

O Brasil tem vários estilos de música. Dentro delas um especial : "jorgebenjor".

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O dia eu que muita coisa mudou

Poucas coisas na minha vida, em algum momento, julguei absolutas. E dentre estas poucas coisas, eu tinha uma crença que Mike Tyson era invencível. E assim o mundo deveria seguir numa lógica correta e única. Mas um dia, 11 de fevereiro de 1990, um pouco da crença linear que eu tinha na linearidade se foi com a derrota de Tyson.