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domingo, 20 de março de 2016

Otélo Caçador e o momento atual

Houve um tempo e eu era moleque, havia no O Globo um Colunista. Na parte de Esportes (ainda não era "Caderno de Esportes", Caderno, só em momentos especiais) seu nome era Otélo Caçador. Na sua Coluna-  Penalty - tudo era assumidamente passional. O Flamengo, por exemplo, quase nunca perdia no seu "Placar Moral". Tudo era leve e descarado. Eis o nosso momento atual. Tudo está muito estranho. O equilíbrio parece não mais existir. A maior parte da imprensa e do que lemos de amigos, parece se comportar com a parcialidade do Otélo, porém sem aquela leveza característica. Ler ou conversar com alguém favorável ao Governo Federal, parece que tem a missão de lhe convencer do que não cabe convencimento. Ler ou conversar com alguém da oposição ao atual Governo Federal, vem na mesma outra missão panfletária de tentar lhe convencer do que não faz sentido. E o grave, quando você, concorda apenas em parte (pois poucas vezes os errados -dos dois lados- estiveram tão certos e errados ao mesmo tempo), você simplesmente "virou inimigo". Parece existir a necessidade de uma concordância de porteira fechada. Como se o maniqueísmo como única fonte de saber. Do Certo e do Errado. Como num "Mundo das Idéias". Estranho ver a sociedade que deveria amadurecer, ficar buscando entes externos para resolver seus problemas. Estranho ver que uma sociedade que poderia ter ficado mais justa e tolerante, ficar mais intolerante. Estamos em processo de retrocesso, amigos. Eis a necessidade do cuidado. 
Opinião divergente e diferente é salutar. Imposição não. E maniqueísmo quase sempre é burro. E sempre limitante.  
Fechando com o Otélo - havia o Diploma de Sofredor, quase sempre era zoando as outras torcidas que não a do Flamengo. Era interativo antes da palavra "interatividade" existir como definição na mídia. Você preenchia do seu jornal, recortava e entregava ao seu amigo. O Brasil está perdendo para a ignorância. Estamos perdendo o critério. Como o 7a1 que não termina. 


terça-feira, 15 de novembro de 2011

Futebol, Brasil e o Flamengo


Depois eu falo de Londres. Hoje eu quero falar de futebol.

Falar do Flamengo.


Não. Não sou rubro-negro. Em que pese no primeiro Fla-Flu de minha vida, onde o Flu ganha, se me lembro de 3 ou 4, eu, ao lado de toda diretoria do Flu, tive a ousadia de berrar "Mengo!". Mas não era flamenguismo, era ser do contra. Ser gauche.


Por ter crescido numa família Flaminense, nunca me senti apaixonado por nenhum time. Mas sim pelo futebol. E, pela história de cada time. De cada título. E o Flamengo que eu conheci. O Flamengo da história, não era o Flamengo do time genial do Zico e Cia que caminhava a frente dos demais. O Flamengo de verdade, da história, era um time que se superava. Era um time onde a torcida, a estrela. Não tinha os talentosos assombrosos de um Botafogo de Didi, Garrincha e Nilton Santos. Sim, que me desculpem os craques rubro-negros do passado, mas eles não eram gênios, Deuses assombrossos do futebol. Mas juntos pareciam times mágicos. Capazes de derrotar adversários mais fortes. E desta teoria surge a magia da camisa e frases feitas cabotinas como "Deixou chegar, agora é nossa...".


Assim eu vi o Flamengo. Onde a arrogância da torcida era compreendida porque ela sabe que faz a diferença. E como sabe. Só foram sempre vitoriosos com uma equipe superior apenas naquele momento dos anos 80. No mais era a equipe da superação. Capaz de fazer o mais fraco vencer o mais forte. Mas sem apelar para um coitadismo. Pelo contrário, usar a força dos que querem a vitória. Foi assim na final de 92 e em diversos outros momentos de orfandade de talento como de um Zico ou de um Ronaldinho Gaúcho.


Assim eu vi o Flamengo. Um time de superação. Não de estrelas. De força de uma camisa. De contrariar matemáticos e teorias. E este ano de 2011, entendam, o Vasco é o Flamengo.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Futebol Carioca

Na final do Brasileiro que o Bangu chegou, vi bandeiras do Flu, do Bota, do Vasco e do Flamengo. Todo mundo junto. O Maraca tava colorido e lindo. Nunca antes na história(frase do Lula) foi visto tamanho carioquismo unido. Na decisões por tiros livres da marca do penalti, um foi pra fora e o Bangu perdeu.
Hoje o Vasco é o campeão da Série B. Flamengo Campeão da Série A. Flu e Bota se seguraram aonde tem que ficar: na elite do futebol brasileiro.

Valeu Rio.
Então o hino do Bangu. Sei que o Lamartine Babo não tava tão inspirado. Mas fica aqui ele para homenagear Flu, Bota, Vasco e o Campeão Brasileiro, o Flamengo.E, é claro, o Bangu.

Agora a nota triste a vergonha em Curitiba. Se a FIFA viu, era para a Cidade de Curitiba, que tanto se exalta como "primeiro mundo", perder o direito de receber a Copa. Cenas de selvageria que já estão correndo o mundo. Como diria o Casoy. Uma vergonha.

PS:
Nada pessoal contra a equipe do Coritiba que foi algoz do meu Bangu naquela decisão do Brasileiro de 85.


sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Times do Rio

Em breve com mais calma um texto sobre as torcidas do Rio e seus comportamentos. Uma análise pretensamente sociológica sem grandes pretensões e sem muita sociologia. Coisa de "butequim", porém devidamente fundamentada.

Este post será para os mais de 30 amigos/leitores que enviaram mails sobre o post do Botafogo e Flamengo.
Gente de todas as torcidas.
Em breve e com calma.
Hoje tá corrido.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Relato de um jogo -15 anos depois


Era a final do Brasileiro de 1992. O Botafogo, com uma campanha bem superior, chegava a final com jeito de campeão.

No Maracanã, pela primeira vez, a maioria não era rubro negra. A torcida do Botafogo lotou o Maraca dando uma prévia da festa que seria ganhar um título brasileiro, justamente em cima de um “combalido” Flamengo.

A torcida do Flamengo estranhou estar em menor número. Mas não ficou abatida. Pareceu se agigantar e engoliu a do Botafogo. Era algo realmente diferente. A "nação rubro negra" era menor. Mas não em entusiasmo.

Júnior-Vovô Garoto- comandou o time. Se a memória não me trai, antes dos 20 minutos do primeiro tempo, já estava 3 a 0 para o Flamengo.


O resto é história. Está no scout. Os números frios e nem sempre reais. Futebol é um dos esportes onde a matemática é aliada do sofisma. E números frios muitas vezes não traduzem a realidade. O segundo jogo parece que nem teve muito interesse. Em 20 minutos do primeiro jogo a história estava sacramentada. Tanto que no segundo tempo se via clarões na torcida do Botafogo que já havia deixado o estádio.


Flamengo ganhou mais um título brasileiro. Júnior, o "Leovegildo" fez uma partida daquelas como a de Romário contra o Uruguai nas eliminatórias. Chamou a responsabilidade para si. Desequilibrou. E fez valer experiência e talento individual em um esporte coletivo..

O Botafogo ainda teve que esperar 3 anos e uma ajuda do Márcio Rezende de Freitas para comemorar seu primeiro título brasileiro. Merecido pela campanha de 92(a melhor em número de pontos) de 95 e pela história do Clube.

O que eu me recordo é que fui ao Estádio com a disposição para "sacanear" os flamenguistas. E saí rindo dos botafoguenses. Que em 1992 se comportavam com a arrogância rubro negra. O Flamengo ganhou na humildade. Talvez uma das poucas vezes que vi um Flamengo humilde.E campeão.