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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O que faz o Lula incomodar tanto a classe média?

Não. Não sou Lulista de plantão. Nem fecho meus olhos para os erros cometidos no Governo Lula, FHC ou qualquer outro mandatário. Aqui ou fora do Brasil. Em especial, nos locais aonde voto. Por direito ou obrigação.

Também não concordo com bravatas que reclamem do "excesso de liberdade de imprensa". Mas concordo que existe um excesso de liberdade de jornalismo venal. Assim a democracia acaba se tornando um viés da opinião publicada. Que cada dia que passa, graças a Deus,
se torna menos opinião pública e do público, para se tornar a opinião do dono do jornal. Ainda bem. Bendita micro opinião. Benditos blogs, twitter e redes sociais.

Então paremos de falar de "golpismo" de um lado e de "totalitarismo" do outro. Bravatas idiotas que não fazem mais sentido no Brasil do século XXI.

O que não se pode é culpar o Lula pelo fato do PSDB ter perdido a mão. Ter desaprendido a fazer política. Ter desaprendido a fazer oposição. Ter desaprendido a pensar.
A facilidade que Dilma, uma candidata que nem na história do PT faz parte, se deve em parte a ser mulher, ao prestígio do Lula, mas sobretudo aos erros do PSDB. A campanha de Serra, mesmo indo para o segundo turno. Mesmo que consiga uma improvável vitória, foi um fiasco. Erraram tudo. Ressuscitaram o José Dirceu. Transformaram Serra em demagogo. Foi a história de "Garantir um salário mínimo de 600 reais" trazer a tona a história da "Legalização do Aborto" Pesaram o visual e mostraram que o partido não sabe fazer oposição. E esqueceram de usar o FHC. Não em oposição a Lula, mas sim como se Lula tivesse uma dívida com FHC. Como se este mandatário popular, com seu jeitão carismático e caricato tivesse se tornado presidente em parte por causa de FHC. O que é sim uma verdade.

Se o "Erenice Gate" fosse no Governo FHC, teríamos passeata nas ruas. O PT chegou ao Governo. E deixou tudo esfriar. E o PSDB não soube usar da modernidade, das novas ferramentas e sobretudo da criação de novas lideranças. O PSDB entrou no jogo do Governo Lula, que fagocitou as suas lideranças postulantes ao cargo presidencial, como Palocci e José Dirceu. Fazer isto estando no poder é mais simples que fazer isto na oposição.Que ficou sem um rosto. Sem um nome.

A eleição vem fria. Tentam esquentar com o que tem de pior na política. (Logo o Serra apelando para o atraso com este papo de "Aborto".) Mas ainda assim, fria. Além do falado, uma prova de maturidade política. Os principais atores e propostas pouco se diferem. Tal qual uma democracia e economia consolidadas. Assim, as bravatas e os medos de "Chavinização" são infundados. Tanto para Dilma como para Serra.

Então pensando o que faz o Lula incomodar tanto a classe média, chegamos a algumas conclusões. A classe média e seu egoísmo não gosta de ver a secretária podendo viajar para fora do Brasil. A classe média não gosta de ver o filho da empregada doméstica tendo seu computador. A classe média não quer que o motorista de táxi possa dirigir um bom carro. A classe média fica com raiva quando vê alguém de comunidade com uma TV de Plasma. Esta classe média tacanha queria que apenas ela. Tão somente ela e seus pares superiores,os ricos de verdade, pudessem falar de Paris, de Viena, de Roma, de Nova Iorque. Agora, você que odeia o Lula por isto. Pode parar de odiar. Os avanços neste campo não são méritos exclusivos do Lula. Que tem sim seu mérito, mas tal qual uma estrada, FHC pavimentou, o mundo desejou e Lula, graças a incompetência da comunicação do PSDB, ficou sozinho com os louros da conquista. O grande erro do PSDB é deixar que o PT fique sozinho com os méritos das conquistas sociais e de redemocratização do Brasil. O erro do PSDB é CONTRAPOR a imagem de Lula x FHC ao invés de mostrar que o Professor Universitário e o Metalúrgico panfletavam juntos no ABC pela democracia. Se o PSDB tivesse inteligência teria mostrado que "Lula é uma dádiva do FHC". Tal qual a frase de Heródoto para o Egito e o Nilo. FHC com orgulho, quase juvenil, passou a faixa presidencial para Lula em 2003. Mas o marqueteiro para aproximar o Serra do Lula, chamou o Serra de "Zé" e achou que tinha resolvido a falta de apelo popular do Serra.

Uma dica: ressuscitem FHC. Não como um antagonista de Lula, mas sim como alguém que ajudou este homem a ser o Presidente mais popular da história do Brasil.


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A maturidade política

Esta eleição, sem grandes paixões, mobilizando mesmo os profissionais do setor e imprensa. Tirante a porcalhada das placas e bandeirasA dramaticidade eleitoral está baixa. Baixa demais. Além dos personagens mais sem graça numa eleição presidencial desde 1989. Como diria Lula "Nunca antes na história deste País se teve uma eleição tão xôxa."

A baixa dramaticidade se deve a vários fatos. Um em especial. Nosso amadurecimento democrático. Se um dos ítens da consolidação das democracias é a menor distância entre os players do jogo político, quando se tem um PSDB-PT que você só sabe onde começa um e termina o outro quando olha na lupa, isto esvazia a paixão. Cria uma massa social democrata única com pequenas nuances.

Dilma não é o Lula de 89. O Lula do Lulalá. O Lula do meu primeiro voto. O Brasil mudou. Se o PSDB obteve a estabilidade da moeda, o Governo do PT fez importantes avanços sociais. Temos práticas envergonhantes? Temos mensalão do PT e do PSDB? Temos apoios que envergonham os dois lados sob o pretexto do "política real". Temos. Mas ainda assim o Brasil avançou.

O mérito deste grande avanço não é do PSDB ou do PT. É do povo brasileiro. É de um mercado potencial a caminho de 200 milhões de humanos. E num mundo em que se vira cidadão através do consumo, um país com o mercado interno de quase 200 milhões de consumidores, consegue olhos internacionais com interesse. Com desejo. Um país ocidentalizado. E onde no momento até mesmo a falta de ética e transparência podem ser interessantes para grandes economias ganharem dinheiro e gerarem dinheiro graças a este momento de transição de um subdesenvolvimento envergonhante para o Primeiro Mundo. Até lá ainda teremos escândalos que revelam o lado bom da transparência, antes a gente nem sabia. Mas com certeza as práticas envergonhantes não estão no DNA do povo brasileiro, mas sim em pouco controle e na máxima da "ocasião faz o ladrão."

O Brasil avançará e o mérito não será nem da Dilma, nem do Serra. Nem do Lula, nem do FHC. O mérito é de uma brava gente. Que trabalha. Que paga quase metade de tudo o que produz em imposto para "sustentar" um Governo. Seja tucano, seja petista. O mérito do Brasil entrar numa rota de crescimento não deve ser credito a ninguém da classe política. O mérito é nosso.
Se algum político tentar puxar para si este mérito, vaie. Quem merece o aplauso é o brasileiro comum.

domingo, 25 de janeiro de 2009

2010 já começou. E querem Serra


A cobertura das enchentes em Belo Horizonte não deu perdão a Aécio Neves. Parece que a grande mídia já escolheu Serra como seu candidato a candidato a presidência. E com isto foi, digamos parcial. Ou relativamente cruel com o neto de Tancredo.
Deram um recado.

Claro que menos cruel que a chuva com as pessoas. Mas ainda assim, cruel com Aecinho.

sábado, 22 de março de 2008

Prefeito



Um filme infantil me fez rever um antigo conceito. Achava que o Governador José Serra era a cara do Hommer Simpson. Ao ver o filme do Elefantinho Horton, encontrei um personagem mais parecido com José Serra. O Prefeito inseguro da Cidade. Fisicamente se parecem.