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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Encontro de Irmãos



Um café entre irmãos. Com cigarros apagados. Em menos de uma hora, toda uma vida passada a limpo. Com julgamentos e absolvições expressas. Sem condenações, apenas o tempo como senhor da razão.

Meu café amargo, como sempre foi. Menos doce. Menos indulgente. No café do irmão mais velho, a candura de quem realmente é forte na doçura. Eu, no meu egoísmo vejo que penso demais nas pessoas. Não é egoísmo, é arrogância de querer proteger. Prepotência.

Mas hoje, dia de combate ao fumo, data sugestiva para o encontro ao acaso. Que meio sem sentido, meu de anjos soltos. E alguém que hoje teve um descanso merecido. Completamente perdoado como ele sempre queria. Por ser apenas um ser, daqueles tolos. Românticos. Intempestivos. Com hombridade, mas lamuriamente, apaixonado. Um perdão por escrito. Sem necessidade do juridiquês presente no DNA dos envolvidos, embora um renegue.

Finalmente, oramos um Kadish com muito atraso.
Paz.
Que celebra a vida.
E o brinde com café e cigarros não acesos foi mais que perfeito.

sábado, 13 de agosto de 2011

Ser pai




O que é ser pai? Ser pai não é apenas ser o dono da bagagem genética. Ser pai ou mãe na biologia é fácil. Mais fácil que obter licença para dirigir. Ser pai, principalmente ser pai, pois mãe tem um arquétipo que a evolução dentro da linha do tempo foi melhor trabalhado, ser pai hoje em dia é difícil mesmo.


O mundo mudou. A mulher mudou. E o ser humano nem sempre consegue entender a mudança. E a mudança é o equilíbrio e não necessariamente a ruptura.


Antes o esteio afetivo era da mãe. Por gerações e gerações. Por atavismo. Por instinto. Por costume. Não tem curso para um homem aprender a desempenhar este papel. O homem buscou ser mulher no item mais simples. No metrosexualismo simplório. Se enchendo de cosméticos e outras frescuras que passaram a ter aceitação em nome do consumismo. Dobraram o mercado de frescura quando afrescalharam o homem. Mas não criaram um curso para o homem lidar com o novo mundo. Com o ser pai no século XXI, onde os papéis da mãe e do pai não são clássicos clichets dos anos 50.


Então ser pai decidamente não é fácil. Até já foi. Falam sempre "da nova mulher", "da mulher que trabalha na rua", "da independência da mulher" e ninguém se tocou que numa Sociedade se tem o Novo papel da mulher, demanda o Novo papel do homem. E digo, sem nenhum dúvida, que a mulher vem desempenhando com muito mais brilho o papel da nova mulher que o homem seu novo papel. Alguém tem que avisar que ser pai e amigo, ser "pãe", ou contrário que o uso de cosméticos, não diminui a testosterona. Até aumenta.


Para mim uma entrada na Sephora ainda é como entrar num outro mundo desagradável. Muitas cores, muitos produtos prometendo milagres que não acredito e uma confusão olfativa enlouquecedora. Já com o fato de lidar com o "ser pai com um percentual de mãe", este eu tenho aprendido todos os dias.


A todos os Pais que tentam desempenhar este novo papel. Que buscam estar mais próximos com os filhos, um Feliz Dia dos Pais tão verdadeiro quanto o desafio diário de ser pai no século XXI.


A trilha escolhida, a música que eu considero um hino do "ser pai". Ser pai é isto, "Stand by me".


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Dia dos Pais

Domingo é dia dos Pais. Sensorial que sou, lembrei do cheiro de Acqua di Parma e de maresia.



sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Domingos

Procurando um material para uma apresentação, encontrei este texto perdido, escrito em algum domingo do ano passado. Com o direito de ser dispersivo neste momento, como fala um pouco de Pais e Filhos, achei oportuno postar.

Cheguei em casa com as pontas dos dedos ardendo. Vontade de escrever. Noite de domingo em Copacabana. Camisas de futebol. Clima de fim de festa. Cães e seus donos. O rosto das pessoas no domingo é indecifrável. Carrega ressaca. Culpa. Indulto. Paz. Cansaço. Alegria. Esperança e Frustação. Tudo ao mesmo tempo. Como se o domingo fosse uma espécie de dia trinta e um de dezembro de algum ano imaginário.


Vi um pai. Se despedia dos filhos. Rosto simples. Arredio a olhares. Ao deixar os filhos na portaria, a dor sem disfarce da lágrima contida. Não eram olhos de poeta. Ou me vendo naquele pai. Era um fato jornalístico. O pai, com a camisa do Vasco. Seu filho idem. A menina, uma mochila do Vasco. Nem sei se o Vasco jogou hoje. A família estava trajada de gala cruz maltina. E aquele pai, provavelmente , carregava o orgulho de passar, ou impor, seu time de futebol aos filhos.

Chamou atenção o gestual do menino. Enquanto o pai saía, sem olhar para trás, disfarçando a lágrima, o filho ficava ali. Olhando para um lugar vago. Olhando além de onde o pai caminhava. Como quem olha o futuro. Ele olhava para o vazio. Olhos nada incisivos. Talvez disfarçando de si mesmo o que ele queria ver, mas sabia que assim não seria, ver o pai olhando para trás. Parecia que ele entendia aquela dor do pai. E não olhava ali por ele mesmo, mas olhava ali pelo seu pai. Ele parecia querer confortar o pai. E o maior conforto seria torcer para o pai não se virar chorando. Mas, se assim fizesse, ele estava ali para proteger seu protetor. Talvez ali eu tenha visto alguma coisa minha. A vontade de um dia, no tempo perdido, ter o olhar daquele menino. Um olhar terno. Vi que a razão daquela cena ser forte para mim não era pelo pai. Mas pelo filho. Como pai já havia realizado meu domingo e minhas certezas.

Senti vontade de um dia ter tido vontade de ter aquele olhar de carinho do menino. Não voltamos no tempo. Não precisamos carregar culpas. Nada de terapia. Nem mesmo escrever em forma de terapia. Apenas vontade de em algum momento ter tido aquela força demonstrada na fragilidade e na fraqueza.

O que falta? Nada, apenas cheguei com uma vontade imensa de escrever. Não queria falar. Não queria ser ouvido. Não queria nem ouvir música. No máximo um chocolate.