Sexta em casa. Calma e paz. Aretha tem cara de sexta. O dia mais feliz da semana. É véspera de sábado. Toda sexta sempre tem clima de Reveillon pra mim. Assim banalizo o dia 31 de dezembro propriamente dito. Tenho mais de 50 fins de ano todo ano. Mas não conto o tempo. Assim não amadureço, mas também não envelheço.
Gardel canta cada dia melhor. E "Por una cabeza" é uma das maiores canções já escritas. Tango é a música de corno erudito. Aquele que se coloca como corno da vida. Independente de ter ou não a parceira. Apenas ouvir e deixar sangrar. Como o mundo ficou mais literal. Mais óbvio. Simplório e não simples. Um filme sobre a história de uma prostituta, fica com clima de sessão da tarde. Inocente. Leve. Como se a modernidade e a liberdade dos fatos tenham criminalizado tudo. Deixando o ar mais cinzento. Se fosse rodado hoje em dia, a personagem principal seria irmã de um viciado em crack. A família seria destruída. Recordações de abuso familiar. Tiroteios. Consumo de drogas. Hordas composta de todas as minorias do momento e sempre muito escuro e sombrio. Como se Tim Burton tivesse feito a direção de arte. Mas, Breakfast at Tiffany's - Bonequinha de Luxo, é iluminado, tem cores do cinema inocente-antes de apelarem para o telecine criar um clima.
O filme é pra cima. É para ver com pipoca no ar condicionado. Não tem um peitinho nem uma cena de luta, mas vale. O filme parece uma crônica dos anos 60.Truman Capote. Audrey. Henry Mancini. Valendo o DVD. E tem uma canção pra lá de especial: Moon River. Que tocava no rádio do carro de avô. Que me encontrou no Rio. Em Paris tocou de presente de aniversário. Na hora exata. Como coisa combinada. Que de Nova Iorque me mandou o recado um ano depois. Como coisa ensaiada. É, veio pra fazer parte da trilha da minha vida. Bem-vinda.
(Parodiando C.F. de Abreu "escrevendo, eu falo pracaralho")
Sempre penso que no dia que o aeroporto internacional do Rio de Janeiro for algo melhor que uma rodoviária, for um aeroporto digno, então o nome de Antonio Carlos Jobim fará sentido. Hoje, nas atuais condições, se eu fosse da família Jobim, pediria para retirar o nome do Maestro de um aeroporto, em especial o terminal antigo, que não condiz com o que o Rio aspira, mas sobretudo com a imagem do Maestro.
Pois bem, hoje é aniversário de Piazolla.
Minha sugestão, que já coloquei em livro, que se mude o nome de Ezeiza (Aeroporto de Buenos Aires) para Aeroporto Internacional Astor Piazolla.
Semana que vem atualizo com mais frequência. Em virtude de mil coisas, entre elas a estréia do programa da rádio, tudo zoneou, inclusive os posts por aqui. Como os leitores cobram, semana que vem me farei mais presente.
Hoje me lembrei de Copacabana e de um tango em especial.
"Barrio Viejo". Para mim Copacabana é isto e muito mais.
Copacabana é meu dogma.
Imagens de Copa de vários momentos e a letra do tango.
Pretendo resgatar algumas imagens de Copacabana nos anos 80.
Uma das cenas mais preciosas do cinema. Um dos personagens mais fabulosos, o Coronel Frank Slade.
Fico pensando o que passa na cabeça de um ator, como deve ter passado na cabeça do Al Pacino, ao fazer a refilmagem de um clássico onde o ator que fez o personagem era o Vittorio Gassman. Um desafio.
Este tango, "Por una cabeza", aqui executado pelo genial Itzhak Perlman faz o melhor BG da história recente do cinema.
Penso que deveríamos ter uma ponte mais frequente com a Argentina. Rivalidade a parte no futebol, Brasil e Argentina podem juntos ver o que a demagogia e má gestão, podem fazer com um País que tinha tudo para ser primeiro mundo.
E, Piazzolla está para o Tango assim como a Bossanova está para o samba. Fizeram uma releitura(que palavra pernóstica) e atingiram novos públicos, sem se travestir de jazz. E para mim, o Tango é o Blues de Alma branca.
Tem o sentimento, a dor, a noite, o conflito, igualzinho ao Blues. Mas no lugar de negros do Sul dos Estados Unidos, imigrantes europeus que, a margem da sociedade, criaram um dos melhores ritmos do século passado.
E um clássico de Piazzolla, batido, porém um clássico.
Carioca, por acaso brasileiro. Com muito orgulho. Orgulho do acaso e muito orgulho de ser cariocamente brasileiro.
Consultor de marketing,publicitário, jornalista, poeta e escritor.