Em poucas horas muda o ano. Lula sai dos jornais para entrar na história. Sem tiro no peito, mas com a certeza de ter tido muito mais acertos que erros.
Lula, sem entender da cartilha da esquerda, conseguiu levar muito mais justiça social. Usando o lulês: "menas injustica". Isto até mesmo o mais ferrenho tucano tem obrigação de concordar.
Lula, sem nunca entender o que era a turma de Chicago ou saber exatamente o que Keynes queria dizer, fortaleceu o estado e a economia.
Lula, sem ter o domínio do partido, da inteligentzia, conseguiu até mesmo "fritar" postulantes ao cargo nos momentos certos, que digam Zé Dirceu e Palocci.
Teve sorte? Com certeza. Já dizia Nelson Rodrigues que "sem sorte você não atravessa a rua que é atropelado pela carrocinha de sorvete". Mas não foi apenas isto. Lula teve méritos sim.
Carisma, sorte, ego, vontade de acertar e vantagem de ser o produto exato. Por mais que fosse caricato - conseguiu aproveitar isto a seu favor. Sua imagem de metalúrgico, de líder popular, passar esta imagem da nova democracia e com isto, até Jogos Olímpicos vieram. Na base da Lei de Cotas, mas vieram. Um caricaturismo de resultados. Pois imagine um Presidente Louro de Olhos azuis dizendo "Para os outros Países pode ser mais um evento. Para o Brasil é uma oportunidade única." Ali ele conseguiu dar o lastro "ideológico" e popular para decisões que são tomadas com muito mais interesses econômicos e práticos. Mas Lula usou as palavras certas. E saindo de sua boca, elas tiveram muito mais valor.
Lula pegou uma estrada, que um Professor Universitário pavimentou. Sim FHC tem seu mérito, apesar do PSDB não entender este papel e com isto vem se apagando na história. Como estudioso das ciências sociais, os jornais são uma excelente matéria prima. E nos jornais, por oito anos, parece que o Brasil teve o Golpe de 64, os anos de chumbo, um período confuso e que veio o PT e resolveu tudo. O PSDB, por uma miopia ímpar está se apagando. Deixando que seu valioso papel na redemocratização do Brasil desapareça.
Lula soube aproveitar um congresso com vontade de business. Um congresso que cada dia fica mais pragmático e menos ideológico. Com menos vontade de debater, de legislar e mais vontade de compor.(seja lá o que esta palavra signifique). A verdade que Lula soube navegar. Colocou as velas a favor do vento. E fez um bom governo.
Agora é esperar para que o ego, o carisma, a popularidade e sorte sejam uma bênção e não um problema. Pois saber o papel de ex presidente é algo que a recente democracia brasileira deve aprender. E neste ponto o vaidoso FHC sempre se comportou como um Lord. Que Lula tenha com Dilma a mesma grandeza de entender sua dimensão. Ele não tem a "caneta", mas pode ser hoje uma personalidade mundial mesmo sem a Presidência.
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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
quinta-feira, 17 de julho de 2008
O maior medo do governo Lula

Sem dúvida o grande temor do estilo Lula de governar, é deixar o Estado ou os poderosos - na percepção do modo Lula de governar, quem usa terno e gravata é poderoso. Bem, o medo desta forma de governar-que alguns chamam de neo-populismo- é transparecer que o Estado, o PT, ou Governo façam pressão sobre os mais fracos. O receio é que isto desconstrua a imagem positiva do "homem bom", do "homem do povo" que o Presidente Lula usou, mais que sua vida, seu mandato para construir.
O escândalo envolvendo o caseiro Francenildo foi um exemplo. Pessoas de terno e gravata, como Palocci , "oprimindo" o caseiro. Resultado: frita o Palocci sem chance de defesa. Agora o "afastamento" do delegado Protógenes Queiroz do caso Daniel Dantas foi um exemplo do temor do Estado ser confundido com amigo de poderosos. E como, perante a população a PF goza hoje de grande prestígio, de gente honesta. Trabalhadora. Gente que quer passar o Brasil a limpo. A forma de governar preocupada com os índices de popularidade força bravatas. O Presidente vem a público falar em alto e bom som que ninguém pressionou o delegado pelo mesmo ter realizado escuta na ante-sala do Lula.
A declaração de Lula dizendo que ninguém pediu para afastar o delegado pareceu a piada do português sobre o pum. "Alguém peidei, não sei quem fui". Determinadas negativas mais parecem afirmações.
E a pergunta que não quer calar: Afinal quem é "Letícia" na contabilidade do DD?
Relembrando um pouco de Francenildo
A foto de Palocci e do caseiro Francenildo e o escândalo:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Francenildo_Santos_Costa
http://pt.wikipedia.org/wiki/Esc%C3%A2ndalo_da_quebra_do_sigilo_banc%C3%A1rio_do_caseiro_Francenildo
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quinta-feira, 3 de julho de 2008
Bakunin

Em épocas de faculdade e militância. Eu me divertia. Convivia com o pessoal da Convergência, da Juventude Socialista etc e tal. Mais me divertia e zoava que participava efetivamente.
Como bom niilista, eu citava, sem pedantismo, Proudhon e Bakunin. Princípios que acredito até hoje. Em especial os de auto-gestão. Inclusive na vida empresarial e pessoal. E não é que dá certo?
De Bakunin e sua principal citação, eu recebi de uma leitora do blog, a Clara de Porto Alegre. Eleitora e militante da companheira Luciana Genro. Recebi em função do post PSDB e PT. Agradeço e posto aqui e agora. Realmente Bakunin, tal qual um "Nostradammus", foi profético. A frase em questão de Bakunin:
"Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e por-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana."
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